Tishá beAv

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O livro de Eiḥá ou Lamentações, lido em Tishá beAv, inicia com as palavras: “Como está solitária… a cidade outrora tão populosa! Yehudá… habita entre as nações e não encontra abrigo… o Eterno a afligiu pela infinidade de suas transgressões” (Eiḥá 1:1-5) O Templo de Jerusalém foi destruído duas vezes: uma vez por ordem de Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 586 aec – e novamente por Vespasiano, general do Império Romano, em 70 ec. Nas duas ocasiões o povo de Israel foi para o exílio. Para os rabinos do Talmud, a Sheḥiná, a Presença Divina, também foi para o exílio.

Assim como em Yom Kipur, é proibido comer e beber, usar artefatos de couro, lavar-se, perfumar-se e ter relações sexuais. Por ser um dia de luto, valem as mesmas regras do luto judaico. Estudamos os livros de Lamentações e de Jó, passagens dolorosas de Jeremias e do Talmud. Em algumas comunidades o Aron Hakódesh é coberto de preto ou deixado aberto e vazio, sem os Sifrê Torá. A sinagoga fica a meia luz ou a luz de velas. Durante o serviço religioso é aberto espaço para sentar-se no chão ou em bancos baixos, em sinal de luto.

Kidush Levaná, a Consagração do Feminino

Após o por do sol e a quebra do jejum, algumas comunidades celebram um alegre Kidush Levaná, a Consagração da Lua, inspirado na tradição segundo a qual o Messias nascerá em Tishá beAv e a partir daí a lua terá a mesma importância que o sol. Uma interpretação reformista⁄progressista considera que, neste novo tempo, as mulheres, identificadas com a Lua, irão assumir plenamente a condição de igualdade com os homens na esfera religiosa.

Um Novo Tempo

Com a destruição do 2º Templo em Tishá beAv, encerrou-se uma era e deu-se início a um novo tempo, quando os debates, histórias, leis e tradições rabínicas foram reunidos no Talmud, estabelecendo novas bases para a vida judaica. Os rabinos estabeleceram que, junto com a Torá escrita, Deus entregou a Moisés a Torá Oral, transmitida de geração em geração.

Tishá beAv hoje

Após quase 2 mil anos da destruição do Segundo Templo, vivemos mais uma vez uma nova era. Nos últimos 200 anos, dadas as novas circunstâncias políticas, econômicas, sociais e de desenvolvimento mundiais, foram criadas novas maneiras de se viver judaicamente – e com estas, novas maneiras de se relacionar com a nossa tradição milenar. Como fios da trama de um mesmo tecido, um maior acesso ao pensamento judaico dos séculos anteriores e a diversidade da vida judaica – gerada pelo surgimento de grandes pensadores e rabinos, cientistas, artistas e lideranças – entremeou-se com a tragédia do Holocausto, o nascimento do Estado de Israel e os desafios de vivermos em um mundo pleno de outros modos de vida atraentes e acessíveis ao judeu moderno.

No passado, Tishá beAv marcou a destruição do Templo e a iminente extinção da vida judaica em Israel.

É chegada a hora de buscarmos novos significados que façam sentido ao judaísmo dos nossos tempos, assim como fizeram os rabinos do Talmud no tempo deles, para reconstruírmos uma vida judaica que nos mantenha identificados e pertencentes ao Povo de Israel.

Em Tishá beAv lemos no livro de Lamentações: “Renove os nossos dias como nos tempos antigos”. A leitura tradicional fala do desejo de voltar a se viver como no passado, mas é possível fazer outra leitura. Que nós possamos renovar a vida judaica em nossos dias, assim como os rabinos do Talmud renovaram o modo de vida judaico depois da destruição do Templo, nos tempos antigos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]