Shabat


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O Shabat é um Templo no Tempo, afirmou o rabino Abraham Joschua Heschel. O Shabat é a antessala do Mundo Vindouro, suspira a sabedoria clássica judaica, que percebe o Shabat como um tempo em que a espiritualidade tem espaço para se expressar em sua plenitude.

Por cerca de 25 horas, a nossa alma é inspirada de tal modo que se expande e se eleva a níveis inimagináveis durante os demais dias da semana.

Muitos judeus definem o tempo do Shabat entre pouco antes do entardecer da sexta-feira, quando acendem as velas cerca de 18 minutos antes, e o início da noite do sábado, cerca de 42 minutos após o anoitecer.

Outra forma de se envolver com o Shabat leva em conta o tempo objetivo definido pela tradição somado a este o tempo subjetivo, pleno de emoção, vida e espiritualidade, determinado pelo indivíduo, pela alma judaica presente. O Shabat começa quando acendo as minhas velas em casa. O momento em que celebramos a Havdalá, que marca a despedida do Shabat, é quando o Shabat termina para nós.

A combinação entre objetivo e subjetivo, entre tradição e modernidade, entre coletivo e particular, tornam o Shabat significativo de diversos modos, tornando-o sagrado para cada um e para cada uma.

Shabat é mais do que um dia de descanso. Segundo o Gênesis, o Shabat estabelece uma dinâmica que diferencia entre o tempo de criar  e o tempo de contemplar. Está escrito na Torá: “Estavam concluídos os céus e a terra, e tudo o que há neles. Deus já havia concluído, no sétimo dia, a obra que realizara. No sétimo dia Deus cessou toda obra executada. Então Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele cessou toda a obra realizada – tudo que Deus criou e fez.” (Gênesis 2:1-3).

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A dinâmica entre criação e contemplação faz parte da dinâmica do universo. O descanso é sagrado: implica sair do cotidiano e das preocupações rotineiras. O Shabat é sagrado porque nos dá a oportunidade de nutrir o espírito, restaurar a alma, descansar o corpo e a mente. No Shabat temos a oportunidade de prestar atenção às maravilhas da Criação; durante a semana, muitas vezes estas maravilhas não são nem vistas.

O Shabat é o único feriado mencionado nas Asséret Hadibrot, as Dez Declarações, conhecidas como Dez Mandamentos. Tanto na primeira versão (Êxodo 20:8-11) quanto na segunda versão (Deuteronômio 5:12-15), o Shabat é o quarto mandamento. Uma curiosidade é colocar as versões lado a lado e notar suas diferenças. No Êxodo, somos ordenados a recordar o Shabat; em Deuteronômio, somos chamados a praticá-lo.

Memória e Prática. O Shabat assim nos ensina que a nossa prática atual precisa estar ancorada na memória do que foi praticado por nossos antepassados, de geração em geração; por outro lado, não podemos viver só de memória e deixar a prática de lado.

O Universal e o Particular: enquanto no Êxodo o Shabat evoca a Criação do Universo e de toda a humanidade, em Deuteronômio somos recordados da experiência singular que o povo de Israel sofreu com a servidão no Egito e a alegria experimentada com o Êxodo. O Shabat representa, assim, a celebração universal da vida e a celebração da liberdade pelo povo judeu.