Pêssaḥ


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O Festival de Pêssaḥ, que recorda e comemora a libertação do Povo de Israel da escravidão no Egito (Êxodo 1-15), também é conhecida como Ḥag HaAviv  (Festival da Primavera), Ḥag HaMatzot (Festival dos Pães Não-Fermentados) e Ḥag Zmán Ḥerutênu (Festival da Nossa Liberdade).

Em Israel e nas sinagogas reformistas, Pêssaḥ dura sete dias: de 15 a 21 do mês judaico de Nissan – Em 2020, começa no dia 8/04, quarta-feira à noite, com o Sêder de Pêssaḥ, com  a cerimônia de Yizkor (em memória dos falecidos) no dia 15/04 de manhã; terminando no final da tarde.

Na Diáspora de forma geral (fora de Israel), Pêssaḥ dura oito dias: de 15 a 22 de Nissan, com Sêder nas duas primeiras noites (8-9/04) e  Yizkor no dia 16/04, quinta-feira de manhã.

O nome Pêssaḥ se refere à ação dos anjos da morte que, a mando de Deus, “passaram por cima” das casas dos israelitas, mas levaram as vidas de todos os primogênitos do Egito, humanos e animais, levando o Faraó a aceitar a saída do Povo de Israel.

Pêssaḥ é o primeiro dos três Festivais de Peregrinação (Shlóshet Haregalim) com significado agrícola, histórico e religioso; os outros dois são Shavuot e Sukot. É uma época propícia para deixarmos outros “Egitos” para trás, tudo que infla o ego: a arrogância, a prepotência e o egocentrismo, para citar alguns.

No Sêder lemos a Hagadá de Pêssaḥ, que contém uma determinada ordem de orações, rituais, reflexões e canções, incluindo um jantar festivo em geral feito em casa. A Hagadá nos ajuda a vivenciar o que nossos antepassados viveram naquela época, para que cada geração aprenda, reflita e não deixe cair no esquecimento essa história tão central na vida e na história do povo judeu.

Que o seu Sêder tenha portas abertas

Lemos na Hagadá: “Quem tem fome, venha e coma conosco. Quem estiver passando necessidade, compartilhe conosco a esperança de Pêssaḥ.” Há a prática de convidar para o Sêder quem não tem outra maneira de vivenciar este momento. Em algumas congregações realiza-se um sêder comunitário com objetivos semelhantes. Pessoas não judias também podem ser convidadas para o Sêder de Pêssaḥ.

Preparação para Pêssaḥ

Bedikát Ḥamêtz

Antes do início do feriado, é uma mitzvá retirar de casa tudo que seja considerado ḥamêtz. A retirada de ḥamêtz também deve ser um exercício espiritual para removermos o que nos deixa “inchados e inflados”, como o orgulho e a arrogância.

São considerados ḥamêtz alimentos a base de aveia, centeio, cevada, espelta (trigo vermelho) e trigo, desde que cozidos por mais de 18 minutos. Muitos judeus ashkenazim têm por costume não consumir arroz, milho, amendoim e kitniot (leguminosas, como feijão e soja), pois como também são usados para fazer pão, seu produto poderia ser confundido com ḥamêtz.

Matzá: espécie de bolacha não fermentada, em geral a base de farinha de trigo. Da matzá podemos preparar muitas refeições saborosas. Vale a pena adquirir um livro de receitas de Pêssaḥ ou procurar as receitas dos nossos pais e avós. Iremos descobrir que, livre do ḥamêtz, nossa dieta pode ser tão ou mais saborosa – e muito saudável.

A Mesa: Cobrimos com uma toalha branca e sobre ela colocamos a Keará de Pêssaḥ. Também são colocadas três matzot (sing.: matzá) em uma toalha especial com três divisões ou separadas por guardanapos. A matzá de cima representa Cohen (os sacerdotes), a do meio Levi e a de baixo Israel, em lembrança das antigas castas sociais em que era dividido o Povo de Israel. Sentamo-nos à mesa de modo confortável e relaxado, como se sentam pessoas livres.

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Keará de Pêssaḥ: Travessa especial com uma pequena porção de cinco ou seis alimentos simbólicos. Há muitos costumes de como organizar os alimentos na keará.  A seguir, um destes costumes:

1. Betzá. (em cima, à esquerda) Ovo cozido com a casca chamuscada, regado com água salgada. Simboliza a ḥaguigá, sacrifício que era levado ao Templo na época de Pêssaḥ, Shavuot e Sukot. Também recorda o Templo destruído. Por outro lado, simboliza novos ciclos e novas esperanças.

2. Zeroá. (em cima, à direita) Osso grelhado de pescoço de galinha (tradição ashkenazi); osso de perna de carneiro ou vitela, queimado e chamuscado (tradição sefaradi). Simboliza o cordeiro pascal que era levado ao Templo na véspera de Pêssaḥ. 

3. Maror. (no centro) chrêin (tradição ashkenazi: pasta de raiz forte com beterraba). Pode ser também raiz forte, talos e folhas de alface romana. Lembra a vida amarga dos escravos hebreus no Egito. 

4. Karpás. (embaixo à esquerda) ramo de ervas verdes, salsa, cebola ou batata cozida mergulhada em água salgada. Representa a renovação da vida com o surgimento da primavera (no Hemisfério Norte).

5. Ḥarósset. (embaixo à direita) Mistura de maçãs ou peras, nozes, tâmaras ou damascos e vinho tinto. Lembra a argamassa usada pelos servos hebreus no Egito para fabricar tijolos. Seu sabor doce também recorda a doçura da libertação.

6. Ḥazéret. (embaixo no meio) Alface romana utilizada como segunda porção de Maror. 

Ao lado da keará há uma tigela com água salgada que simboliza as lágrimas de um povo oprimido. Segundo outra interpretação, ter sal para temperar os alimentos é um sinal de liberdade.

As Taças da Liberdade: Durante o Sêder de Pêssaḥ, cada participante bebe quatro taças de vinho que representam diferentes expressões de liberdade encontradas na narrativa do Êxodo: “E vos tirarei do Egito…; e vos salvarei da escravidão… e vos redimirei com braço estendido… e vos tomarei para Mim como povo…”.

A Taça de Eliahu Hanaví: Costuma-se colocar sobre a mesa uma quinta taça de vinho para o Profeta Elias, que deve anunciar, segundo a tradição, a chegada da Era Messiânica. Outros sugerem que a taça deve ser em agradecimento pelo restabelecimento do Estado de Israel em nossos dias.

A Taça de Miriam Haneviá: Miriam, irmã de Moisés e Aarão, era quem indicava onde havia água no deserto, após o êxodo do Egito. A Taça de Miriam nos lembra que devemos demonstrar gratidão por ainda termos recursos naturais e da obrigação de preservarmos estes recursos para as próximas gerações.

Hagadá de Pêssaḥ: A ordem em que transcorre o seder foi descrita há mais de 1.800 anos pelos sábios da Mishná (Tratado Pessaḥim, capítulo final), mas ao longo dos séculos foram feitos muitos acréscimos. A representação do serviço na Hagadá sempre contou com a criatividade de artistas, ilustradores e poetas ao longo dos tempos, exemplificada pela enorme variedade de Hagadot, das mais tradicionais às mais alternativas, comunitárias e familiares. Toda Hagadá tem algo em comum: Quinze passos para o sêder. São eles:

(1) Kadêsh (2) Urḥátz (3) Karpás (4) Iaḥátz (5) Maguid (6) Roḥtzá (7) Motzí (8) Matzá (9) Maror (10) Korêḥ (11) Shulḥán Orêḥ (12) Tzafún (13) Barêḥ (14) Halêl (15) Nirtzá.

Uso de Tefilin, quando?
Nos dias de Ḥag – em Israel e na tradição reformista: o primeiro e o sétimo dias; para os demais, os dois primeiros e os dois últimos dias – não se coloca tefilin. Nos dias intermediários, chamados de Ḥol Hamoêd Pêssaḥ, durante a semana, o costume ashkenazí é colocar tefilin, mas retirá-lo da oração de Halêl, imediatamente antes da Leitura da Torá. O costume sefaradí é não colocar tefilin em nenhum dia de Pêssaḥ; ambos os costumes são aceitos pelo rabino da Beth-El.

Contagem do Ômer
Durante o período que vai da segunda noite de Pêssaḥ até a noite anterior a Shavuot, é feita a braḥá de Sefirát Haômer, seguida da contagem do dia, antes da oração