Leḥ Leḥá

Rabino Uri Lam, out. 2020, Ḥeshvan 5781

O rabino Menachem Creditor escreveu esta canção para a sua filha, nascida logo após o ataque terrorista ao World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001. Ela foi inspirada na passagem do Salmo 89:3. A canção diz assim:

Olam essed ibanê…dai dai dai (4x)

O rabino comenta: “Este mundo será construído pelo amor: o nosso e o de Deus. Nos melhores e nos piores momentos, religiosos e seculares não fundamentalistas buscam a mesma esperança, usando linguagens diferentes. Amen para ambos.”

Menachem Creditor é um Rabino Conservador. Considerado, em 2015, um dos 50 rabinos mais influentes dos EUA, compõe a Comissão de Justiça Social da Assembleia Rabínica, do Movimento Masorti. Além de atuar na sua sinagoga, é palestrante frequente em outras sinagogas, campi universitários e comunidades em geral sobre questões de Identidade, Gênero e Inclusão; Liderança, Ativismo e Espiritualidade. Qual é a mensagem da sua canção?

“Eu construirei o mundo com amor.

Você construirá o mundo com amor.

E se nós construirmos o mundo com amor,

Então Deus construirá o mundo com amor.”

Esta é a Semana de Abr(ah)ão – a semana da sefirá de éssed, de amor, compaixão, bondade.

Entre Abrão e Deus há um acordo:

Abrão sairá da sua terra, do seu local de nascimento e da casa dos seus pais; Deus fará dele uma grande nação, o abençoará e tornará o seu nome famoso. Só então, ele será uma benção.

O que isso significa?

Do Talmud (Pessachim 117b) aprendemos de Rabi Shimon ben Lakish que Deus prometeu: (1) fazer de Abrão uma grande nação; (2) abençoá-lo com filhos (no caso, Ismael e Isaac); e (3) tornar seu nome conhecido – uma referência a Jacob/Israel, como somos conhecidos até hoje.

Não há como falar de judaísmo sem falar da conexão inseparável entre Deus de Israel, Povo de Israel e Terra de Israel. Não dá para falar de povo judeu sem um processo continuado de Leḥ Leḥá. Estamos sempre caminhando. Nossa tradição é Leḥ Leḥá. Estar em Movimento. Sempre.

Eiran Baruch, do centro de estudos Biná, em Tel Aviv, ensina que “Abrahão escolheu construir uma cultura baseada no sacrifício de animais; com isso, quebrou uma terrível tradição de sacrifícios humanos. Rabi Yoḥanan ben Zakai rompeu com a tradição dos sacrifícios e embarcou na tradição de orações e estudos. Yitzḥak Rabin, um homem de guerra na juventude, quebrou a tradição do confronto e do ódio e voltou-se para o caminho da paz… e então um judeu rude e sombrio se levantou contra ele e o assassinou.”

O primeiro-ministro Yitzak Rabin cumpriu fielmente o Leḥ Leḥá: ele rompeu com as práticas dos seus dias para se juntar a Shimon Peres e a Yasser Arafat. Juntos, assinaram os Acordos de Oslo, em favor da paz entre israelenses e palestinos e, em 1994, foram agraciados com o Nobel da Paz. Mas em 1995, um radical israelense de extrema direita, judeu, foi até um comício pela paz, em Tel Aviv, aproximou-se de Rabin e disparou três tiros a queima-roupa.

Hoje os israelenses marcaram o 25º aniversário do assassinato de Yitzḥak Rabin com muita luz: 25 mil velas foram acesas na praça central de Tel Aviv que hoje leva o seu nome.

Itzḥak Rabin, o General da Paz, nos legou a benção da busca pela paz. Cabe a nós, Israel, nos tornarmos conhecidos outra vez como um povo que busca sempre a paz entre os povos, em memória de Itzḥak Rabin.

Olam essed ibanê…dai dai dai (4x)

Eu construirei o mundo com amor.

Você construirá o mundo com amor.

E se nós construirmos o mundo com amor,

Então Deus construirá o mundo com amor.