Itró

[vc_row][vc_column][vc_column_text]fevereiro 2020

Rabino Uri Lam

O que Deus espera de nós? O que Deus espera de mim, de você?

As expectativas de Deus em relação a Israel são elevadas: “Vocês serão um reino de sacerdotes” (Êxodo 19:6). Para cumprir a ordem divina, o Povo de Israel deveria se tornar um Povo de Sacerdotes, cada um de nós. Alguns sábios medievais entendiam que o sentido é que sejamos sacerdotes dos demais povos para ensinarmos o que Deus espera não só de nós, mas de toda a humanidade: “Naquele dia Ad!onai será um e o Seu Nome será Um” para todos.

A Parashat Itró é famosa pelos Dez Mandamentos, que de fato são “um mais nove”. O primeiro “mandamento” é, na verdade, o cartão de visitas de Deus: “Eu, Ad!onai, sou o seu Deus; Eu que tirei você da Terra do Egito, a Casa da Servidão”. Em seguida, Deus ordena: “Não haverá para você outros deuses diante de Mim; não faça para si imagem esculpida nem imagem alguma…”

Em seu comentário, o rabino Jacob Maisels lembra que, no início do Gênesis, Deus ordenou que a Humanidade fosse criada à Sua imagem e semelhança.

Então o ser humano pôde ter sido criado à imagem de Deus, mas o ser humano criar imagens de Deus não pode?

Poder, pode; o que não pode é que as imagens sejam idolatradas, porque não são deuses: são estáticas, objetos sem vida, quanto muito passam a ilusão de serem eternas.

Mas o maior problema não é adorar uma imagem como se fosse Deus; o maior problema é considerar Deus um objeto e adorá-lo como se fosse uma imagem.

Deus não é um objeto; sem querer definir o indefinível, Deus é mais parecido com um verbo, um processo. E nós, como seres semelhantes a Deus, estamos sempre em diversos processos de desenvolvimento. Uma foto nossa, uma placa em homenagem, um busto na praça do bairro – podem passar a ilusão de permanência; são imagens nossas. Logo percebemos que, depois de um tempo, estas já não dizem muito sobre quem somos e, muitas vezes, nem sobre quem fomos.

No seu “cartão de visitas”, Deus se apresenta como um ser dinâmico e atuante: “Eu, YHVH – Passado (Haiá) Presente (Hovê) e Futuro (Yihiê) – sou o Seu Deus, que tirei vocês da Terra do Egito…” Se somos feitos à Sua imagem e semelhança, só podemos ser seres humanos capazes de gerar outros seres humanos e outras tantas inovações, em um processo que pode ser replicado a cada geração. Não somos como Deus, porque Ele é Um e eterno; somos semelhantes; porque ao nos multiplicarmos, nos eternizamos.

Deus ordena que sejamos um povo de sacerdotes, não um povo de imagens. Um povo de líderes em constante processo de aperfeiçoamento, de homens e mulheres que questionam, reveem conceitos, mudam a realidade, inspiram aqueles que os/as acompanham nesta jornada espiritual – e transmitem às gerações seguintes o que aprenderam no próprio processo. Com exceção do “cartão de visita de Deus”, denominado de Primeiro Mandamento, os demais Nove Mandamentos estão todos no tempo futuro. Sempre em processo, sempre com algo por transformar. Processo; transformação inspirada no Eterno Deus Mudança – esta é a tradição.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]